O CASO SORRISO
Em minha casa, nas ruas, nas lojas, nos supermercados...
Onde ele está? Onde se escondeu?
Procurei em todos os lugares e nada...
Como algo que outrora estava por toda parte torna-se raro sem que percebamos?
Talvez esteja hibernando em algum canto
esperando por dias melhores para então ressurgir
ou quem sabe tenha morrido!
Ao certo, não sei dizer.
Exaurido da delongada busca,
sentei-me num banco de praça
e ali descansei, por algum tempo,
observando toda aquela gente.
Gente que não sorri,
gente apática,
gente consumida pelos problemas.
Sim, é isso!
Só pode ser isso.
Pensei comigo
enquanto levantava para partir.
O caso estava encerrado:
O sorrido havia morrido.
Foi então que descobri estar enganado.
Sim! Felizmente eu estava enganado.
Não sei a razão exata
que levou aquela pequena garotinha
soltar a mão da mãe e correr em minha direção.
Talvez tenha percebido a aflição que me devorava
ou talvez fosse um anjo me trazendo a resposta que tanto eu almejava.
Ela aproximou-se com suas pequeninas pernas.
Numa das mãos uma singela flor
que foi oferecida a mim.
Fiquei sem reação.
O rosto jovem
pintado como o de um palhaço
então sorriu e disse:
Toma moço é para o senhor!
Já faz tempo,
mas a flor... esta, eu guardo comigo até hoje.
Já está seca é verdade.
Todavia, ainda me faz lembrar
o que aconteceu com o sorriso.
Deixo claro que não me refiro
ao sorriso arraigado de formalismos e conveniências.
Este ainda pode ser encontrado em abundância
pelo mundo a fora.
Refiro-me ao sorriso
de franca e simples alegria
que não deseja nada além de esboçar
o sentimento de felicidade.
É deste que vos falo
e ao contrário do que eu imaginava
não está morto.
Permanece vivo
nos lábios das crianças.
Quase extinto,
mas, ainda assim, vivo!
Só o que me resta é aguardar...
quem sabe quando estiver bem velhinho
eu não veja essa nova geração
fazê-lo proliferar novamente.
Por Thiago Tavares.
CONTOS DE DRAMA