sábado, 25 de fevereiro de 2012

O caso sorriso (Coletânea)

O CASO SORRISO

Em minha casa, nas ruas, nas lojas, nos supermercados...
Onde ele está? Onde se escondeu?
Procurei em todos os lugares e nada...
Como algo que outrora estava por toda parte torna-se raro sem que percebamos?
Talvez esteja hibernando em algum canto
esperando por dias melhores para então ressurgir
ou quem sabe tenha morrido!
Ao certo, não sei dizer.

Exaurido da delongada busca,
sentei-me num banco de praça
e ali descansei, por algum tempo,
observando toda aquela gente.

Gente que não sorri,
gente apática,
gente consumida pelos problemas.

Sim, é isso!
Só pode ser isso.
Pensei comigo
enquanto levantava para partir.
O caso estava encerrado:
O sorrido havia morrido.

Foi então que descobri estar enganado.
Sim! Felizmente eu estava enganado.
Não sei a razão exata
que levou aquela pequena garotinha
soltar a mão da mãe e correr em minha direção.
Talvez tenha percebido a aflição que me devorava
ou talvez fosse um anjo me trazendo a resposta que tanto eu almejava.

Ela aproximou-se com suas pequeninas pernas.
Numa das mãos uma singela flor
que foi oferecida a mim.
Fiquei sem reação.

O rosto jovem
pintado como o de um palhaço
então sorriu e disse:
Toma moço é para o senhor!

Já faz tempo,
mas a flor... esta, eu guardo comigo até hoje.
Já está seca é verdade.
Todavia, ainda me faz lembrar
o que aconteceu com o sorriso.
Deixo claro que não me refiro
ao sorriso arraigado de formalismos e conveniências.
Este ainda pode ser encontrado em abundância
pelo mundo a fora.

Refiro-me ao sorriso
de franca e simples alegria
que não deseja nada além de esboçar
o sentimento de felicidade.
É deste que vos falo
e ao contrário do que eu imaginava
não está morto.

Permanece vivo
nos lábios das crianças.
Quase extinto,
mas, ainda assim, vivo!

Só o que me resta é aguardar...
quem sabe quando estiver bem velhinho
eu não veja essa nova geração
fazê-lo proliferar novamente.

Por Thiago Tavares.
CONTOS DE DRAMA

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Dedin di Prosa entrevista Thiago Tavares

“É com muito prazer que anunciamos aqui o primeiro parceiro  de 2012.
Um novo autor carioca, que nos encantou com seus contos de terror, poemas apaixonados e pensamentos fascinates… Senhoras e senhores  com vocês o encantante ThiagoTavares”.

CONHEÇA O AUTOR

Blog:

Blogueiro:
Thiago Tavares Dâmaso dos Santos
Por que esse nome para o Blog:
Eu penso da seguinte forma: Quer ser escritor? Pois então apanhe seu nome e seus textos e jogue-os aos quatro cantos do mundo. Se você for bom, o retorno virá mais depressa do que possa imaginar.
Fale um pouco sobre você:
Sou alguém que procura não perder as oportunidades de crescer como indivíduo, que não quer ser rico, mas sim feliz com o que faz. Sou um sonhador do tipo que prefere o silêncio a dizer bobagens e que fez da escrita sua principal arma para esboçar o que sente.
Qual seu maior sonho?
Meus sonhos são encadernados e todos dotados de muitas páginas. O que mais desejo é andar pelas ruas e ver pessoas passando o tempo com meus sonhos.
Pra você o que é felicidade?
A felicidade é frágil, inconstante, ora rara, ora abundante, mas, em todo caso, um sentimento fascinante que costumo vivenciar ao lado daqueles que amo.
Hobby:
Escrever
Livro de cabeceira:
O Diário de um Mago (Paulo Coelho)
Música:
Bem Vinda (Jeito Moleque)
Cor:
Verde
Frase:
“Obstinado é o homem que triunfa na batalha diária contra as próprias limitações sem nunca desistir de seus sonhos e metas”.  (Thiago Tavares)
“Pagai o mal com o bem, porque o amor é vitorioso no ataque e invulnerável na defesa”. 
(Lao Tsé)


sábado, 11 de fevereiro de 2012

A Lua e o Sol (Coletânea)

A LUA E O SOL

Reza uma antiga lenda tribal que, no final de sua divina criação, o Pai – todo poderoso – gerou um casal dotado de inteligência para governar o mundo e cuidar de tudo o que ali estava contido. Eis que surgiu o ser humano que, em sua origem, recebeu a graça da imortalidade. Ao homem, de pele negra, foi concedido o nome de Coaraci e a alva mulher chamou-se Jaci. Aos dois, Deus fez uma única restrição. Jamais poderiam se alimentar dos belos frutos de uma determinada árvore. Dizem os índios que esta foi a forma que o Criador escolheu para testar a obediência de suas criaturas capazes de raciocínio. 
Temerosos de uma possível punição, o casal obedeceu e, distantes da árvore que chamaram de proibida, cultivaram o amor que fez a barriga de Jaci inchar. Deus então se fez presente para informar que um filho estava por vir e Coaraci – numa felicidade imensurável – saiu pelo mundo a fora à procura de um presente para dar a sua amada. Tempos depois o primeiro homem da Terra regressou com a mais bela concha do mar e a entregou para sua mulher que a recebeu com satisfação. Iraputã, menino de pele mesclada entre o alvo e o negro, foi o primeiro dos muitos filhos que o casal concebeu e, todas as vezes que a barriga de Jaci inchava, Coaraci realizava o mesmo ritual. Partia em busca de um novo presente que sempre sobrepujava o anterior. Assim ele fez até que não restasse nenhum presente inovador. Coaraci então regressou com uma concha do mar, repetindo o presente que havia dado há séculos.
Mal acostumada, Jaci não a recebeu com a mesma satisfação de outrora. Havia se tornado uma mulher vaidosa e exigente. Descontente, pediu ao seu amado que partisse e só retornasse quando encontrasse algo que superasse o último presente. Coaraci então explicou que já havia lhe dado tudo, no entanto, Jaci disse que ele estava enganado, pois ainda havia algo que não tinha recebido. Intrigado Coaraci perguntou o que era e espantou-se ao ouvir a resposta. Jaci desejava o fruto da árvore proibida.
Coaraci mencionou a restrição de Deus, mas sua amada, que desejava provar daquele fruto, estava irredutível. Como não desejava decepcioná-la ele então partiu com a promessa de trazer o fruto e, diante da árvore proibida, enfrentou em seu íntimo a árdua escolha entre o amor que sentia por Jaci ou a obediência ao Pai. Permaneceu por muito tempo nesta reflexão até que finalmente tomou sua decisão e voltou. Neste ínterim sua mulher já havia dado a luz e esperava, ansiosamente, pelo presente. Coaraci se aproximou e entregou o fruto que trazia consigo. Em seu livre arbítrio optou por agradar a amada.
Diante do fruto pomposo, Jaci não pensou duas vezes. Mordeu, com vontade, saboreando o néctar suculento daquele alimento. Como no primeiro momento nada aconteceu, Coaraci sentiu-se tentado e também experimentou do fruto. Os dois comeram até que o último pedaço fosse ingerido e Deus então surgiu. Ao vê-lo Coaraci, imediatamente, tomou a frente de Jaci e disse ser o culpado de tudo, pois fora ele quem apanhara o fruto da árvore proibida. Esta por sua vez tomou a responsabilidade para si alegando haver influenciado seu amado. Percebendo que o amor entre os dois era maior que tudo, Deus julgou que o castigo mais adequado seria a separação do casal. Eis que os dias passaram a ser divididos em luz e escuridão e os dois foram lançados aos céus. Coaraci para guardar o dia e Jaci para guardar a noite. Com isso os dois são afastados e Deus então se volta para os filhos do casal destituindo-os da imortalidade para que possam morrer e, por diversas vezes, renascer ora como pais, ora como filhos, ora como homens e ora como mulheres, até que aprendam a amar a si mesmo e a seus semelhantes de forma igualitária e ao criador sobre todas as coisas.
Os índios relatam que desde aquele dia surgiu a chuva. Lágrimas que do alto dos céus o casal verte pelo remorso e pela dor da separação. No entanto, Deus – em sua infinita bondade – um belo dia permitiu que o casal, que estava afastado para toda a eternidade, pudesse se encontrar. Feliz pela notícia Coaraci, como fazia em outrora, partiu em busca de um presente inesquecível e assim que retornou, encontrou-se com sua amada. Eis que surgiu o eclipse, fenômeno raro que acontece de tempos em tempos com a autorização do Pai criador. O período da visita fora bem curto, mas os dois puderam matar a saudade que sentiam um pelo outro. Quando finalmente chegou o momento da despedida, Coaraci então espalhou, ao redor de sua amada, às milhares de pedras preciosas que havia encontrado pelo universo a fora. Eis que surgiram as estrelas e emocionada Jaci chorou. Daquele dia em diante a chuva passou a representar não somente a tristeza, mas também a felicidade.


Por Thiago Tavares.
CONTOS DE FANTASIA

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Parceria

Atenção!

Caro leitor; 
Humildemente peço a atenção de vocês PRÁ MÓDI NÓIS TROCÁ DOIS DEDIN DI PROSA!  
É com muita satisfação que venho anunciar a parceria firmada entre Thiago Tavares - Escritor & Dedin di  Prosa.  Uma união da qual certamente quem sai ganhando é você, leitor afinco de textos e matérias de qualidade.  

HEI! Tá esperando o que para conhecer meu novo parceiro? Entra lá e confira! 


Felicidade (Imagem & Pensamento)

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Bem-vinda (Palavras ao Vento)

Bem-vinda
(Thiago Tavares)

Algo acontece dentro de mim!
Há flores por toda parte,
flores que nem sempre estiveram neste solo árido.
Como vieram parar aqui? Como cresceram tão depressa?

Ao certo, não sei dizer.
Contudo, é provável que seja obra daquela visitante inesperada,
mas como poderia, se sua chegada é tão recente?
Talvez tenha trazido sementes mágicas com ela,
sementes capazes de transformar locais inóspitos
em jardins encantadores da noite para o dia.

Mas afinal quem é essa tal visitante?
Quem a ensinou o caminho para o meu coração?
Quem abriu a porta para ela?
Quem permitiu sua entrada?

Ela é tão encantadora!
Talvez não tenha problema em deixá-la ficar.
Que mal faria uma visitante que traz flores junto consigo?
Pensando bem, acho que agora estou com medo!
E se as flores desaparecerem no dia em que ela decidir partir?
Ah! Pobre de mim que voltaria a ter um coração desértico!

Não sei quais são os planos desta mulher,
mas é bom tratá-la bem a fim de que tenha motivos para permanecer.
Seja bem-vinda minha doce visitante!
Seja bem-vinda ao meu coração!    

Estas singelas palavras, eu dedico a você que é minha amiga, companheira, conselheira e namorada.
Daty, obrigado por fazer meu coração florir!